terça-feira, 22 de maio de 2012

Economia Verde, Redução de Custos e as Empresas Brasileiras: oportunidades

Às vésperas da Rio + 20 (Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável prevista para meados de junho de 2012, no Rio de Janeiro), algumas empresas ainda tem pouco conhecimento sobre algo que está no seu dia-a-dia: o gerenciamento do consumo de matérias-primas e o descarte responsável de resíduos.

Por outro lado, a legislação nacional que cuida do meio ambiente e do uso dos recursos naturais avança rápido e cobra novos cuidados e procedimentos administrativos, ou mesmo de licenciamento ambiental, além de resultados produtivos menos poluentes.

Vale considerar, também, que independente do avanço dos aspectos legais e até da capacidade de resposta das empresas, a consciência dos consumidores tem crescido e isso já faz diferença no sucesso dos empreendimentos. Mas como agir se a correria e as dificuldades do dia-a-dia dos negócios não permitem respostas tão rápidas quanto o que seria desejável ou até necessário?


Foto 01 (FVasconcelos, 2006): Campanhas na hotelaria:
educação passiva não traz bons resultados
Em recente pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) constatou-se que 81% das micro e pequenas empresas brasileiras ignoram os possíveis resultados da Rio+20. Isso não significa falta de compromisso ou de responsabilidade social. Muito provavelmente isso se deve ao desconhecimento ou pela falta de condições técnicas disponíveis para agir e, então, internalizar ganhos de toda ordem com a redução de desperdícios.

É fato que nos dias de hoje já não é preciso discorrer sobre como novas e simples tecnologias aliadas à educação ambiental focada para funcionários são capazes de trazer reduções significativas de custos operacionais, ganhos de produtividade e de imagem imediatos para os negócios. Mas se a questão ambiental ou uma postura empresarial responsável no trato com os recursos naturais ainda está aparentemente separada do mundo cotidiano e se os conceitos utilizados para tratar de meio ambiente estão longe de ser de domínio público, fica muito difícil para os dirigentes das empresas internalizarem e trabalharem com um dos temas principais da conferência Rio+20: a economia verde.



Foto 02 (FVasconcelos, 2005): Chaves convencionais e eletrônicas: o hóspode não pode ser perdulário, nem a administração dos hotéis.

Mas, então, quem se propõe a fazer a conexão entre empresas e meio ambiente?

“Economia verde” é mais um conceito que recentemente foi aberto ao debate público. Já chama muita atenção nesses momentos que antecede a Rio+20 e deverá mobilizar muito mais holofotes nos momentos que se seguirão. Por si só, esse debate terá um efeito educativo amplo e muito positivo para o mundo dos negócios. Para toda a sociedade.

Mas só o debate e a difusão do conceito de “economia verde” não bastam para a mudança de patamar do nosso nefasto e insustentável processo de desenvolvimento.

Enquanto o detalhamento do novo conceito não vem, vamos reconhecer que referências para uma produção mais sustentável já estavam, e estão, disponíveis. As empresas, independente do seu porte, há muito tempo têm na Norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ISO 14.001, que trata dos procedimentos para a adoção de um Sistema de Gestão Ambiental, os passos para se tornarem mais sustentáveis, reduzindo seus custos e, principalmente, estabelecendo metas e agindo para eliminar o consumo perdulário de matérias primas e recursos naturais. Ressalta-se que as empresas que adotam essa Norma voluntária em muito superam os requisitos de licenciamento ambiental, independente do estado da federação.

E se o contexto internacional associado à Norma e seus altos custos de certificação e de manutenção de certificação espantam os empresários, o papel do SEBRAE preenche uma lacuna importante. Traduzindo conceitos do jargão ambiental para ações que visam o aumento da competitividade empresarial, como a redução do consumo de matérias primas, a melhor eficiência energética e a menor geração de resíduos, o SEBRAE tem mostrado o passo-a-passo do caminho do aumento da sustentabilidade e consequentes ganhos de produtividade no ambiente de negócios.


 
Foto 03 (FVasconcelos, 2005): ‘boiler/aquecedores’: vilões do consumo de energia
Muito ainda há que ser feito. E a Rio+20 e o novo conceito de economia verde devem contribuir de maneira significativa para um aumento da consciência ambiental no Brasil – que já é significativa se comparada a vários países do mundo – e por sua vez, para pressionar o ambiente produtivo e suas práticas.

A Aimará Gestão Ambiental tem trabalhado para oferecendo soluções para a redução de custos operacionais, melhoria de imagem e melhoria de desempenho ambiental no setor empresarial. E, também, para um mundo melhor! Consulte-nos para um diagnóstico corporativo de melhoria de desempenho e redução de custos operacionais.

(Esclarecendo, o que se chama de economia verde ainda é um conceito geral sustentado em três pilares: uma economia menos dependente de energia fóssil; mais eficiente no uso de recursos naturais; e socialmente mais inclusiva (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, 2012).)

Fernando Vasconcelos é especialista em Gestão Ambiental e Diretor-Executivo da empresa Aimará Gestão Ambiental, credenciada pelo SEBRAE-DF.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sociedade e Natureza: Parceria no Quilombo Kalunga


Projeto Kalunga Sustentável e ISPN: planejamento e capacitação na comunidade quilombola de Ema/Teresina de Goiás – Sítio Histórico Kalunga


O Projeto Kalunga Sustentável, uma realização da Associação Quilombo Kalunga com patrocínio do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania, da Petrobras, tem recebido um importante apoio do parceiro Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN) para a condução dos trabalhos na comunidade Ema/Teresina de Goiás, do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, onde o principal objetivo é planejar o negócio da usina de beneficiamento de frutos que o Projeto irá construir naquela comunidade e capacitar os seus futuros trabalhadores.

Nesse contexto, no dia 18 de dezembro de 2011, realizou-se uma oficina para discussão do potencial extrativista de frutos do cerrado na comunidade Ema. Estiveram presentes 20 quilombolas das comunidades de Ema, Limoeiro, Ribeirão e Diadema, todos do município de Teresina de Goiás, e os coordenadores do Projeto Kalunga – Fernando Vasconcelos e Marina Piffero. A oficina foi conduzida pela Engenheira Florestal M.Sc Jessica Livio Pedreira, Consultora do ISPN, que utilizou uma metodologia participativa para os trabalhos. O objetivo principal da oficina foi de fazer um levantamento do potencial extrativista da região com foco no possível potencial produtivo para a usina que o Projeto Kalunga Sustentável construirá em Ema. Na sequência a essa dinâmica, os participantes dividiram-se em 2 grupos e foram a campo nas semanas seguintes para preencher as fichas com os dados das espécies do cerrado priorizadas durante a oficina.


 
Foto 01: Aimará, 2011. Eng. Jessica Livio e participantes do
Projeto Kalunga Sustentável no levantamento do potencial extrativista.
Ema, dezembro 2011.




Foto 02: Joaquim Castro, 2011. Trabalho de campo.
Medição das parcelas para preenchimento das fichas de campo.
Dezembro 2011.



Um mês depois, durante os dias 19 a 22 de janeiro de 2012, a comunidade Ema foi contemplada com a capacitação do “Programa de Assessoria entre Comunidades: Multiplicando Saberes e Sabores”, do ISPN, coordenado pela Enga. Ambiental Maiti Mattoso Fontana, Consultora do ISPN, que levou o Assessor Elias Freitas Mesquita para ensinar técnicas agroextrativistas e agroecológicas aos participantes do Projeto Kalunga Sustentável.


Foto 03: Aimará, 2012. Assessoria e participantes do
Projeto Kalunga Sustentável. Mudas de baru. Ema, Janeiro 2012.




 

Foto 04: Aimará, 2012. Assessor Elias Mesquita e
participantes do Projeto Kalunga Sustentável.
Ensinado a fazer uma ceifadora de baru. Ema, Janeiro 2012.


Foto 05: Aimará, 2012. Assessor Elias Mesquita e
participantes do Projeto Kalunga Sustentável.
Receita de biofertilizante. Ema, Janeiro 2012.



Foto 06: Aimará, 2012. Eng. Jessica Livio e participantes do
Projeto Kalunga Sustentável. Finalização da discussão sobre o
levantamento do potencial extrativista. Ema, Janeiro 2012


O treinamento foi elaborado com base nos resultados da oficina da Eng. Jessica Livio, que, na mesma ocasião da Assessoria do Elias, finalizou o levantamento extrativista iniciado em dezembro passado.



 Foto 07. Aimará, 2012. Engª Jessica Livio e participantes do
Projeto Kalunga Sustentável. Finalização da discussão sobre
o levantamento do potencial extrativista. Ema, janeiro 2012.
 
 
Elias ensinou também algumas práticas de higiene e produção, assim como colaborou na definição dos futuros produtos da usina e na visão geral dos próximos passos a serem seguidos até a sua construção e manutenção. Durante o treinamento, estiveram presentes 23 quilombolas (das comunidades Ema, Limoeiro, Ribeirão e Diadema), a coordenação do Projeto Kalunga e a Consultora Maiti Mattoso Fontana – responsável por essa etapa piloto do Programa de Assessoria entre Comunidades, do ISPN.



Foto 08: Aimará, 2012. Assessor Elias e participantes do
Projeto Kalunga Sustentável.
Boas práticas de higiene e produção. Ema, Janeiro 2012.


Foto 09: Aimará, 2012. Participantes do Projeto Kalunga Sustentável.
Produção de picles. Ema, Janeiro 2012.


Ao final da Assessoria, a consultora Maiti Fontana e o Assessor Elias Mesquita entregaram aos participantes riquíssimas publicações do ISPN, que servirão como referência bibliográfica para o planejamento e execução dos trabalhos da usina de Ema. Os conteúdos dos livros doados tratam sobre normas físicas, sanitárias e ambientais para agroindústrias comunitárias; gestão administrativa e financeira; receitas culinárias; e sobre boas práticas de manejo de vários frutos do cerrado, como o baru, pequi e buriti.




Foto 10: Aimará, 2012. Assessoria e participantes do Projeto Kalunga
Sustentável. Entrega das publicações. Ema, Janeiro 2012.

E assim, em clima de confraternização e muita energia positiva, os Kalungas finalizaram mais uma etapa de capacitação e planejamento para a sua usina de beneficiamento de frutos, apresentando a todos participantes e assessores sua dança tradicional sussa, como forma de bênção e agradecimento por todo aprendizado e amizade construída





Foto 11: Aimará, 2012. Confraternização. .
Kalungas dançam Sussa em agradecimento à Assessoria. Ema, Janeiro 2012



Os significativos trabalhos realizados com o apoio técnico do ISPN estão sendo essenciais para planejar e definir os próximos passos para o negócio de beneficiamento de frutos em Ema. Ainda há muito trabalho pela frente, e espera-se avançar nessa relevante parceria para que essas comunidades desenvolvam capacidades que gerem novas e melhores oportunidades de trabalho no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga.


Foto 12: Aimará, 2012. Participantes do Projeto Kalunga Sustentável.
Mudas nativas de Baru. Ema, Janeiro 2012.





Um abraço a todos,


Marina Piffero – Aimará Gestão Ambiental
 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ecoturismo e educação ambiental no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga.

Prezados amigos,


No contexto do Projeto Kalunga Sustentável, que é patrocinado pela PETROBRAS e realizado pela Associação Quilombo Kalunga em parceria com a Aimará, estamos dando continuidade à implementação e realização direta de atividades previstas para consolidar o turismo como atividade geradora de renda, com foco neste momento na comunidade Engenho II do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, em Cavalcante/GO. Assim, a partir de uma pesquisa de conteúdo sobre outras capacitações já realizadas tanto para os condutores Kalungas quanto para aquelas oferecidas na cidade de Cavalcante/GO, realizamos, nos últimos três meses, duas atividades importantes, e que ainda terão desdobramentos neste ano de 2011.

A primeira delas foi um curso de Sustentabilidade e Organização do Turismo, realizado em agosto de 2011.

Foto 01: Prof. Fernando Vasconcelos e condutores Kalungas.
Aula prática do treinamento em Sustentabilidade e Organização
do Turismo. Agosto 2011.


Com base nesse levantamento de dados secundários sobre o conteúdo dos cursos já ministrados na região, montamos uma grade de conteúdo que buscou organizar o momento da recepção e dar mais segurança para a condução dos turistas. Para tanto, nos inspiramos no Programa Aventura Segura da ABETA (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura) e, em especial, na Norma ISO 15285 – Turismo de Aventura – Condutores – Competência Pessoal.

Foto 02: Prof. Fernando Vasconcelos e condutores Kalungas.
Aula prática do treinamento em Sustentabilidade e Organização
do Turismo. Agosto 2011.

Vale dizer que a Norma é de aplicação voluntária. Entretanto, sua aplicação está baseada numa rotina de planejamento da atividade ecoturística e, nesse contexto, permite ao gestor e condutores da atividade oferecer o mesmo serviço de forma muito mais segura. Os resultados vão desde a transmissão de uma sensação de segurança maior pelo turista que contrata o serviço até a fidelização do cliente.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido para a aplicação integral da Norma, entretanto, há motivação para os primeiros passos nessa direção e a qualidade do serviço dos condutores Kalungas deve ficar ainda melhor já a partir desse final de ano.

Sobre a sustentabilidade ambiental da atividade do ecoturismo, discutimos os atuais traçados das trilhas a partir de seus aspectos teóricos, com o objetivo de se introduzir melhorias de diferentes proporções nas trilhas. E depois realizamos uma atividade de campo. Época de chuva chegando, erosões aparecendo... Mas aqui há uma dificuldade adicional e histórica. As trilhas Kalungas não são trilhas exclusivas para o ecoturismo. Pelo contrário! Ainda existem fazendas não desapropriadas dentro do território e por essas passam alguns poucos veículos, como é o caso da trilha para a Cachoeira Santa Bárbara. Ou, ainda, como no caso da trilha da Cachoeira Capivara, onde temos a passagem de cavalos que transportam a produção das roças de alguns dos Kalungas.

Para implementar melhorias no atendimento, a próxima etapa dessa atividade será levar todas as proposições acordadas com os alunos durante o treinamento para a Associação de Guias Kalungas e para a Associação Quilombo Kalunga - a Associação mãe dos Kalungas.

Uma segunda atividade igualmente importante foi o início do levantamento florístico da trilha da Cachoeira Capivara. As ações definidas para essa atividade foram a identificação de espécies  significativas para o ecossistema do Cerrado, no percurso até a Cachoeira, e posterior plaqueamento no decorrer da trilha. No processo de planejamento, definimos que as espécies  deveriam ter não só uma avaliação científica, mas também, um olhar a partir da cultura Kalunga. Nossa estratégia foi a de unir o conhecimento tradicional com a ciência botânica. Com isso, o resultado que se espera é promover educação ambiental naquela comunidade e aos visitantes, e, ainda, que a valorização gerada nessa trilha resulte no aumento da satisfação do turista que visita a Cachoeira.

Foto 03: Coleta florística para identificação e valorização do Cerrado
na Trilha da Capivara. Na foto, Renata Martins e Jorge Moreira
realizando a coleta. Outubro, 2011.

Para tanto, contamos com a dedicação da doutoranda Renata Martins/UnB para a coleta e avaliação científica e, pela comunidade Kalunga, tivemos a colaboração do Sr. Jorge Moreira, que teve a missão de apresentar o conhecimento da comunidade sobre as espécies do Cerrado. A junção dessas duas visões de mundo permitiu um trabalho de diagnóstico muitíssimo rico. Mais ainda, possibilitou uma capacitação adicional para oito condutores Kalungas de ecoturismo que participaram da atividade.

Foto 04: Identificação e aula sobre a fisiologia e usos da flora do
 Cerrado. Condução: Renata Martins e Jorge Moreira. Outubro, 2011 .

Foto 05: Identificação e aula sobre a fisiologia e usos da
flora do Cerrado na Trilha da Capivara para grupo de condutores Kalungas.
Condução: Renata Martins e Jorge Moreira. Outubro, 2011 .

A próxima etapa será a repetição dessa estratégia de levantamento, classificação e plaqueamento para a trilha da Cachoeira Santa Bárbara. Os atrativos naturais ficarão ainda mais interessantes!
Em breve teremos mais informações. Siga o nosso blog!

Um abraço a todos,
Fernando Vasconcelos
Aimará Gestão Ambiental

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Projeto Kalunga Sustentável: Turismo, cidadania e geração de renda no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga/GO, o maior território quilombo do Brasil.

O Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga

O Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga está localizado nos municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre, situados no norte do Estado de Goiás. Representa o maior território quilombo do Brasil, com mais de 259 mil hectares, um verdadeiro santuário ecológico de Cerrado preservado que abriga inúmeras serras, rios, cânions, cachoeiras, constituindo uma das maiores belezas cênicas da Chapada dos Veadeiros. A formação do Sítio Histórico é fruto, também, da resistência de mais de 300 anos da luta dos afro-descendentes dessa região e hoje, ela representa cerca de 2.000 famílias, aproximadamente 8.000 pessoas, organizadas em mais de 20 comunidades e 42 localidades, distribuídas pelos vãos (vales) que mantêm viva a cultura Kalunga.


Foto 01: Cachoeira da Capirava. Engenho II.
Sítio Histórico Kalunga

Foto 02: Ponte sobre o Rio Paranã/GO,
próximo a Comunidade de Emas,
em Teresina de Goiás/GO.

O Turismo como elemento de desenvolvimento e geração de renda

O Brasil tem atributos naturais e culturais encantadores por toda sua extensão territorial. Singulares pela beleza cênica, fruto de misturas culturais ou forjados pelo isolamento, temos a cara da diversidade de ambientes e traços culturais que formam a base do nosso patrimônio socioambiental.

Por outro lado, desconhecemos a maior parte dessa riqueza. As distâncias, as condições de acesso ou a completa falta de infraestrutura perpetuam nossa ignorância. Por isso mesmo que trago a vocês a experiência de estar participando da execução do Projeto Kalunga Sustentável: Cidadania e Geração de Renda.


Foto 03: Memorial Kalunga Casa de Lió. Elementos da cultura
Kalunga sendo valorizados por outros projetos.


Foto 04: Rio do Prata. Caminho para Capela Vão do Moleque.
Sítio Histórico. Município de Cavalcante/GO.

Esse Projeto, patrocinado pelo Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania, deu condições à Associação Quilombo Kalunga (AQK), a Associação mãe das comunidades Quilombolas Kalungas do nordeste goiano, de iniciar a construção de três bases, interdependentes, de geração de renda e cidadania:

1. O desenvolvimento de capacidades na área do ecoturismo1, com a capacitação de guias e cozinheiras para melhorar a recepção de visitantes no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga. No que se refere ao ecoturismo, contará com investimentos na divulgação, na sinalização das trilhas e dos atrativos, entre outros;

2. O desenvolvimento de capacidades nas áreas do agroextrativismo e beneficiamento dos frutos do Cerrado, com objetivo de difundir técnicas de coleta e processamento destes recursos naturais de forma sustentável; e

3. O desenvolvimento de capacidade de lideranças sociais em negócios sustentáveis, em especial na elaboração de planejamento estratégico, gestão de projetos e questões administrativas & financeiras.

Sob o aspecto institucional de implementação, a Aimará foi contratada para coordenar os trabalhos de ecoturismo, articulação institucional e acompanhamento da implementação do Projeto, além de ter participado da elaboração do escopo do Projeto. Foi contratada também uma empresa para os produtos de comunicação, coordenada pelo Cléber Machado, e estabelecida uma parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), uma ONG com 20 anos de tradição atuando no cerrado brasileiro. Esperamos ao longo dos trabalhos envolver novos parceiros.

Ainda sobre a execução do Projeto, a AQK contratou como funcionários quatro pessoas do próprio Sítio Histórico Kalunga, sendo 3 Assistentes de Projeto (um de cada município do Sítio Histórico) e um Motorista; e um profissional para atuar como coordenador técnico.

Por intermédio da implementação do conjunto das atividades previstas no Projeto espera-se promover uma melhoria na qualidade de vida do povo Kalunga, também, a partir do aumento da renda per capita.



Foto 05: Reunião comunitária na comunidade Capela Vão do Moleque.
Sítio Histórico. Cavalcante/GO


O perfil do turista no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga

O perfil do (eco)turista, em especial o interessado pela Chapada dos Veadeiros no nordeste do estado de Goiás, tem peculiaridades. E a primeira característica que nos cabe a apresentar é sobre o perfil dos visitantes. Eles são formados por grupos, responsáveis por 83% dos visitantes ao PNCV. Entre eles, temos que 75% são formados por contingentes de 2 a 5 pessoas. Igualmente, é interessante notar que 92% desse público não inclui crianças (EMBRATUR e FIPE, 2002), caracterizando um perfil mais homogêneo em termos de habilidades e disposição para o ecoturismo e suas condições específicas de realização - e muitas vezes bastante precárias.

A prática do ecoturismo com qualidade encontra excelente recepção na região, principalmente, quanto ao que se refere à troca de informações pouco mais técnicas sobre a realidade do ecossistema local, sua dinâmica e seu contexto geográfico. Contribui para essa perspectiva o grau de instrução dos freqüentadores do PNCV: 82,3% com nível superior completo ou incompleto – mais do que o dobro da média nacional (EMBRATUR e FIPE, 2002).

Outros elementos, tais como o ‘principal meio de transporte’ (carro próprio atinge 55% da amostra) e a ‘faixa de renda’ (60% ganham acima de R$ 2,5 mil reais/mês) apontam para um turista consciente e exigente por produtos de qualidade em níveis superiores a média nacional, com folga.



Foto 06: casa de adobe. Sítio Histórico e Patrimônio Cultural
Quilombo Kalunga. Município de Cavalcante/GO.


Foto 07: Organização de tampas de panelas. Vão de Almas. Sítio Histórico.

No Sitio Histórico e Patrimônio Cultural Quilombo Kalunga, em especial no Engenho II – principal destino para o ecoturismo dentro do Sítio Histórico -, estamos contribuindo para o detalhamento e atualização desse perfil a partir da aplicação de um formulário de satisfação do turista sobre a prestação do serviço contratado e a qualidade do mesmo. A AQK, a Associação de Guias Kalungas, quatro refeitórios ali localizados e a pousada Sol da Chapada, em Cavalcante, estão apoiando essa iniciativa com uma gentil solicitação de preenchimento de formulários após a visitação dos atrativos.

Antes da aplicação do formulário, estabelecemos um procedimento metodológico visando dar sustentação à base de dados. Nossa opção metodológica foi por uma estimativa da ‘amostra do estudo’ dentro de um procedimento aleatório (não induzido sobre uma tipologia específica do grupo de turistas) e por conveniência (turistas que almoçam no Engenho II, por exemplo) sobre a população-alvo de turistas. E não se pretende que todo o universo de turistas do Engenho II seja atingido com os formulários.


Foto 08: grandes dificuldade no deslocamento - rios e
serras como obstáculos.


Foto 10: Tinguí, já aberto, para produção de sabão.
Comunidade do Prata. Cavalcante/GO.

Os Primeiros Resultados da Pesquisa de Satisfação do Turista

A pesquisa de satisfação do turista foi elaborada com o propósito de se monitorar alguns dos indicadores de execução do Projeto Kalunga Sustentável. Aproveitamos a oportunidade para incluir questões sobre o perfil do visitante e os primeiros resultados não só confirmam o perfil do turista da Chapada dos Veadeiros, mas também, está permitindo um diagnóstico situacional dos atrativos a partir da rica visão dos clientes. Acredito que é a primeira vez que os clientes, nessa região, têm a oportunidade de sugerir medidas para a melhoria do serviço prestado pelas comunidades Kalungas do Sítio – foco principal da iniciativa.

Os resultados também mostram um direcionamento do fluxo da atividade turística para somente dois dos vários atrativos localizados dentro do Sítio Histórico, no que se refere ao município de Cavalcante: por enquanto, os resultados apontam que 98% da visitação está sendo realizada nas cachoeiras de Santa Bárbara e Capivara. Os guias também têm sido igualmente bem avaliados e 90% dos turistas aprovam o serviço prestado - ninguém fez nenhuma avaliação negativa! (Aimará Gestão Ambiental, 2011).

Especificamente sobre o perfil do ecoturista, até agora temos que 95% dos turistas no sítio histórico declararam ter nível superior como sua escolaridade (Aimará Gestão Ambiental, 2011). Impressionante, não? Outros aspectos sobre a segurança das trilhas, sinalização, atrativos mais visitados, avaliação sobre o serviço de guias e refeitórios, entre outras questões, também estão sendo monitorados e em breve serão divulgados neste blog.

Foto 11: Condições precárias para a integração
entre as comunidades.


E vamos em frente!

O trabalho só começou. Os primeiros trabalhos de campo foram realizados em 30 de maio deste ano e na sequência já estivemos com as comunidades de Dona Procópia, Tinguizal, Emas, Engenho, Prata, Vão do Moleque e Vão das Almas. E ainda há muito que ser feito. Várias ações complementares estão sendo realizadas para viabilizar a execução do projeto. Nossa próxima atividade aponta para agosto de 2011, quando iniciaremos cursos de capacitação exclusivos para as comunidades Kalungas que residem no Sítio Histórico.

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Um abraço a todos,
Aimará Gestão Ambiental